Sábado, Novembro 10, 2007
Esse post era para ser escrito em 17 de outubro, mas eu achei que dava pra continuar... não dá. Eu não tenho nada pra escrever e nunca tive.
O blog morreu hoje cortando os pulsos, demorou alguns minutos e não foi fácil acertar a artéria. Doeu no começo mas depois foi só relaxar.
O corpo sem vida vai ficar exposto e pode ser que alguém passe por aqui, mas só haverá passado pra ler, afinal...
...NÃO HÁ FUTURO.
Eu vou apagar ele daqui uns tempos, mas ele morreu e isso é um fato.
Segunda-feira, Outubro 29, 2007
Algumas pessoas veneram tudo que o David Lynch faz. Eu não assisti tudo que ele já fez mas gosto, não venero, mas gosto do clima, as cores e o rol todo de personagens estranhos.
Assisti Eraserhead, o primeiro longa do diretor, de 1977. Todo em preto e branco. O protagonista tem um penteado cômico totalmente desnecessário no filme. A ex-namorada dele aparece grávida e dá a luz uma estranha criatura, um bebê-monstro que dorme sobre uma mesa, com o corpo todo enfaixado.
Não é com certeza a sua melhor obra, mas dá pra assistir.
Esse livro é um amontoado de comentários de "n" pessoas como clérigos, cientistas e políticos organizado pelo autor. Se a idéia do mesmo seria que o livro conseguisse modificar a opinião de algum religioso para transformá-lo em ateu, então ele falhou.
Há boas citações e alguns fatos interessantes, mas não vale o que custa. Eu comprei achando que seria algo novo, diferente, que fosse um estudo detalhado da necessidade (ou não) de Deus.
Mas acho que os estudos que ele cita devem ser mais interessantes que o livro num todo.
Sábado, Setembro 22, 2007
Ariano Suassuna
Lotou bem mais que o esperado obrigando o orador a ficar de lado para as duas platéias. A hora anunciada era 19h30 mas começou lá pelas 20h10. A “aula-palestra-espetáculo” consistia de emissão de opinião, leituras, causos, piadas e muita descontração. Eu não concordo com muito do que ele diz mas ouvir a palavras de uma mente brilhante como a dele é uma experiência magnífica. Duas horas que valeram cada minuto.
Enrolei, enrolei e por fim resolvi ir. Era para assistir com uma grande amiga (“você” seria a palavra certa pois ninguém lê esse blog além de você) se ela viesse a SP (desculpe!), mas não queria arriscar a não ir.
Quarta-feira, em frente ao prédio da Fiesp um telão informa o nome e o voto dos deputados sobre a prorrogação da CPMF. O teatro abre um pouco antes das 20h00 e fica vazio, apesar da gratuidade do ingresso. O ar condicionado faz alguns se agasalharem. Conto após conto permeados por um humor negro, mas de modo algum é uma comédia. Uma peça em homenagem aos escritos de Dalton Trevisan. As cenas de nudez desnecessárias que parecem apenas “apelação” não diminuem a obra que é muito interessante.
“Educação Sentimental do Vampiro”
De 11 de abril a 18 de novembro
De quarta a domingo, às 20h (sexta e sábados, R$ 3; grátis de quarta, quinta e domingo)
Teatro Popular do Sesi
Avenida Paulista, 1313, próximo ao Metrô Trianon-Masp
A amiga de um colega do trampo estava fazendo um trabalho sobre o filme Metropolis de Fritz Lang feito em 1927. Eu resolvi emprestar o DVD por causa de alguns extras. Então com ele em mãos resolvi assistir.
Assistir filme mudo numa segunda-feira depois da meia-noite não é uma tarefa fácil.
O filme é um clássico, ficção científica sobre o futuro no qual um rapaz pertecente a classe dominante descobre como vivem as pessoas da classe operária. Esta última se revolta contra a elite e... bom não vou falar mais nada.
O filme tem mocinho, mocinha, vilão, cientista maluco e efeitos especiais, um blockbuster, mas creio que hollywood não esteja afim de fazer um remake... rebelião do proletariado é muito “comunista”.
As versões sobre o que aconteceu exatamente ao menino que levou o tiro no post anterior, foram tantas e saiu nos jornais em modos tão diferentes. Lendo e ouvindo tantas versões diferentes eu me pergunto: O que é a verdade senão uma das versões dos fatos, ou seja... a versão que sobrevive ao tempo.
Pela manhâ o trânsito parou na entrada do viaduto pelo qual meu ônibus passa. Desci para pegar outro e vi duas moças que pegam o ônibus que passa no viaduto paralelo, ou seja lá estava parado também. No meu viaduto foi uma acidente com um motoqueiro, no outro um corpo estava dependurado, enforcado, na árvore que fica no fim do viaduto. No dia seguinte arrancaram o galho, pobre árvore. O dia começava estranho.
Para completar o filho da telefonista, que havia começado a trabalhar conosco a poucos dias, estava fazendo um serviço no banco, ou seja, sacou dinheiro para a empresa e quando parou para ligar para o departamento financeiro levou um ou mais tiros. Ela ainda está no hospital. A mãe dele é uma pessoa muito legal, gente finíssima e algumas pessoas ficaram meio abaladas.
A vida humana vale cada vez menos.
Terça-feira, Setembro 04, 2007
Um farol no fim do mundo
Vou falar do filme, talvez você não queira ler se pretende assistir,
PRÓS: O filme possuí longos silêncios pois afinal o protagonista principal (Kirk Douglas) está quase sempre sozinho na ilha. O herói por vezes quase se transforma num anti-herói. Ele bate na “mocinha”, mata o cavalo, o novo-amigo e alguns bandidos e talvez por ser um péssimo ator e/ou mal dirigido, não demonstra quase emoção nenhuma... talvez fome. O “macaquinho-bonitinho” é morto e a mocinha morre antes do final.
CONTRAS: Só alguns... direção, idéias esdrúxulas como o cara acertar um tiro de longe, no amigo, e não atirar no inimigo. A luta final que é ridícula.
Eu tenho uma queda por anti-heróis, talvez porque heróis, pelo menos os da banda desenhada, são chatinhos.
Como era uma adaptação de uma obra de Júlio Verne, talvez o livro seja melhor.
Domingo, Setembro 02, 2007
Semana passada, pela manhã, estava assistindo as notícias na TV no intuíto de poder ver os gols do meu time, jogo que não foi televisionado. Então o helicóptero da emissora mostra ao vivo os moradores de um conjunto habitacional fazerem uma barricada parando a pista expressa da marginal tietê, ou seja, atrapalhando boa parte da cidade. Não vi como acabou pois saí para o trabalho, a última coisa que vi era alguns motoristas negociando uma passagem pela barricada.
Uma hora e dez minutos depois (quase todos em pé no ônibus, cheguei no serviço (isso é um tempo relativamente rápido) e notei a falta de um dos funcionários, que nem sempre chega atrasado. Mais dez minutos e ele chegou dizendo que estava muito engarrafado para passar sobre a ponte que cruza o rio Tietê.
O protesto era para chamar a atenção no fato de que por falta de pagamento aqueles moradores, integrantes do movimento sem teto, seriam despejados do conjunto habitacional popular que a prefeitura fez para pessoas de baixa renda. Mas se eles são do MST(teto) por que moram num conjunto? Não deveria haver uma saída automática após a conquista de um teto... deixa pra lá pois desse jeito vou acabar falando de outras coisas, até do MST(terra).
Porque que eles querem dever o pagamento do imóvel e não serem despejados? Eles são mais do que os outros, possuem direitos especiais? Se eu não pagasse o aluguel com certeza viria uma ordem de despejo e teria que fazer as malas e dar no pé. Será que ser do MST(teto) significa que devo receber a moradia de graça? Moradia feita com dinheiro dos impostos que todos pagam.
Enquanto isso eu fico procurando um imóvel onde mal cabe uma cama e uma mesa e que para sair barato eu deveria usar o FGTS, que o governo não libera tão fácil assim. E tanto o comprador e o vendedor não podem nem sequer estar devendo a pinga no buteco. E os projetos de moradias populares estão fora de questão porque para o governo eu não sou pobre...
Também quero uma moradia... então só me resta pedir demissão e me filiar hoje mesmo ao MST(teto).
Preciso ir pra baixo do viaduto antes?
acho que não...
Sexta-feira, Agosto 10, 2007
Eu não estava me dando bem nos bancos do espaço provisório de um SESC (que vai abrir do lado do trampo daqui a 3 anos, mas espero não estar mais lá pra ver).
Havia uma mesa longa e curvilínea feita de material reciclado e diversas cadeiras e achei que seria a melhor opção pois os bancos-de-balanço em formato de S estavam ocupados.
Do outro lado da mesa um senhor de cerca de seus 50/60 anos estava posicionando as peças de xadrez que o SESC fornece sobre o tabuleiro e fiquei admirado que aquele senhor sabia jogar xadrez, mas então percebi a posição em que ele estava colocando as peças.
Ele iria jogar Damas.
Por que as pessoas não gostam de xadrez? Não acho que se precise ser mestre, é só jogar e se divertir. Nada contra damas, mas é jogo de velhinho na praça.
Mas eis que para contrariar minha acusação anterior dois adolescentes passam olhando a mesa e veêm o senhor jogando damas e ficam animados com o fato que dá pra jogar damas com as peças de xadrez. Hã? E por que não daria?
O senhor era com certeza mais imaginativo e prático que os dois adolescentes de neurônios novos.
Agora dá pra entender porque as pessoas não gostam de xadrez, os neurônios entram em xeque pois não conseguem pensar.
Do dicionário Houaiss:
"adjetivo e substantivo de dois gêneros
que ou aquele que demonstra uma coisa, quando sente ou pensa outra, que dissimula sua verdadeira personalidade e afeta, quase sempre por motivos interesseiros ou por medo de assumir sua verdadeira natureza, qualidades ou sentimentos que não possui; fingido, falso, simulado (...)"
A minha chefe é uma #$@!, e este fato é inegável. O tipo de pessoa que gostaria de ter escravos em vez de funcionários, uma pessoa que mente, que trata qualquer pessoa hierarquicamente abaixo dela como lixo, as pessoas de mesmo nível ela fala mal pelas costas e faz arranjos para derrubar aqueles que a incomodam e que idolatra o dono-presidente da empresa.
Mas dar os parabéns para ela seria uma questão de educação pois ela trabalha no mesmo ambiente e as pessoas passam por você e a comprimentam pelo dia. Um de meus colegas não desejou e acusou aqueles que o fizeram de hipócritas (eu estou nesse grupo). É um tipo de hipocrisia? Talvez.
Mas o mesmo colega que acusou (e não deu os parabéns) deu um presente para ela, um livro cujo título não me lembro, mas seria algo assim: "Como lidar com pessoas difíceis", pois segundo ele, ela considera os funcionários dela (eu e meus colegas, incluindo ele) pessoas difíceis de conviver.
Claro, em uníssono todos acusaram-no de bajular (a palavra foi "puxa-saco") a chefe. Esse agrado, mimo, é visto por ele como uma tentativa de torná-la uma pessoa melhor pois com certeza ele deve ajudar até mesmo essa chefe, no seu ponto-de-vista bíblico de sempre ajudar o próximo. Louvável?
Talvez ele goste ou tenha dó dela e por isso tome essa inicativa que contradiz um pouco a acusação de hipocrisia. Se esse presente fosse dado longe da data de aniversário da mesma não se veria um vínculo.
Ele é uma ótima pessoa.
O fato é que não gostei de ser chamado de hipócrita mesmo achando que no fundo todos somos um pouco hipócritas o tempo todo, afinal, muitas vezes dizer bom dia já seria uma hipocrisia. E me irrita quando as pessoas falam como que afirmando que seu ponto de vista é o certo e todos os outros são errados, coisa típica de qualquer religião ocidental.
E outra coisa... se ele fosse um grande amigo, amigo-do-peito eu o chamaria num canto e diria tudo isso pessoalmente, mas não vale a pena.
